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E nos 122 anos da Abolição…

Querid@s leitor@s,

Há tempos não dou as caras por aqui. A coisa anda complicada com o mestrado e, ainda por cima, eu tenho um grande defeito chamado preguiça, que às vezes atravanca não apenas o blog, mas a minha vida como um todo. Tenho pilhas de posts rascunhados, pensados e não sei mais o quê, mas escritos, como vocês podem ver (ou melhor, não podem ver) – nada. Vou tentar retomar essa carroça já nos próximos dias, agora que as coisas estão um pouco mais calmas do lado de cá.

E vamos voltando com calma, no sapatinho, que nem atleta depois de muito tempo sem jogar. Tem que ganhar a forma física de novo, e principalmente ritmo de jogo, que é o que está me faltando. Não vou escrever nada hoje, mas é um dia que eu não poderia deixar passar em branco. 13 de maio, dia da Abolição (122 anos, e ela ainda é bem capenga, convenhamos; há os que defendam que ela é inconlusa, do que não posso discordar) e dia d@s pret@s-velh@s.

Ofereço, então, um roteiro da Abolição através de sambas-enredo que cantaram o tema desde a escravidão, chegando ao 13 de maio de 1888, e também aos tempos seguintes. Não tenho muita coisa aqui, e selecionei os que considero mais bonitos. Quem quiser contribuir, me diga a música que depois coloco aqui pra tocar também.

Kuatiça o ngoma, minha gente!!! Ngoma yotééééé!!!!

Nei Lopes – A epopeia de Zumbi

Martinho da Vila – Chico Rei

Mestre Marçal – Sublime pergaminho

Mestre Marçal – Heróis da liberdade

Nei Lopes e Wilson Moreira – Noventa anos de Abolição

Três observações, pra terminar:

Primeiro, acho muitíssimo interessante o fato de se ter estabelecido, dentro da tradição popular, o dia da Abolição como o dia d@s pret@s-velh@s. Alguém tem a genealogia disso, sabe de onde vem? Não creio que seja coincidência, nem que fosse algo anterior à Abolição. Existem estudos ou histórias da nossa oralidade dentro dos terreiros sobre isso? Queria entender isso melhor porque, para mim, é indicativo de que a sabedoria desses mais-velhos deve ter tido papel fundamental dentro das comunidades de escravos para a luta pela Abolição (embora, ao contrário, @s velh@s sejam representados comumente como mansos, de certa forma submissos, como aparece na figura de Pai João). Ou estou falando bobagem?

Segundo, não coloquei os autores dos sambas-enredo, e sim seus intérpretes, porque não sabia de todos, enfim, achei melhor não colocar de nenhum. O que não faz muito sentido, mas eu sou assim mesmo.

Terceiro, quem souber interpretar a letra de “Heróis da liberdade”, cuja melodia é uma das mais bonitas que conheço de sambas-enredo, por favor, escreva aí. Eu acho um mistério. Vai ser tema do meu pós-doutorado, um dia, porque realmente é um mistério para mim. Essa, aliás, acho que é do Silas de Oliveira com mais alguém (Dona Ivone Lara?).


oquê, caboco!

quando chegar a um milhão, eu fecho o blog.

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