Glória Bomfim tem seus santos e orixás e não precisa da ex-patroa

Glória Bomfim é uma das descobertas musicais mais interessantes que tive o prazer de ouvir nos últimos tempos. Foi-me apresentada por uma amiga há um ou dois anos atrás, e já andei ouvindo suas músicas em recentes idas a rodas de samba, o que me dá muita alegria.

Até agora o único CD de Glória, Santo e orixá tem todo o seu repertório composto por músicas inéditas de Paulo Cesar Pinheiro, que dispensa apresentações. As letras que versam neste disco são relacionadas ao universo litúrgico afro-brasileiro, e que não poderiam ter uma intérprete melhor do que Glória, já que ela, além de grande cantora, é mãe-de-santo.

O mais curioso da história toda, entretanto, é que Glória foi empregada doméstica de Paulo César Pinheiro. Um dia, não podendo mais ignorar o grande talento de Glória a cantarolar pela sua casa todos os dias, Paulo Cesar Pinheiro e sua mulher, a cavaquinista Luciana Rabello, decidiram produzir um disco dela.

Ouça abaixo a faixa “Gameleira branca” e vá correndo comprar o disco. Mas, antes de ir à sua loja favorita, termine de ler este post, que começa feliz, mas não pode se furtar a denunciar um texto que a senhora Luciana Rabello escreveu sobre sua ex-empregada.

Vejam só que gracinha. Estou colocando apenas os trechos que me chamaram a atenção. O texto completo está no myspace da Glória, assinado pela ex-patroa, pra quem tiver estômago:

(E eu me pergunto, desde já, como pode Paulo César Pinheiro, conhecedor e divulgador do mais fino corte das nossas tradições, se omitir ante essa obra-prima de sua esposa?)

A Yalorixá Glória Bomfim é uma das mais expressivas e autênticas vozes que conheço. Seu canto primitivo, forte, verdadeiro, despretensioso e absolutamente intuitivo é um diamante bruto que representa, de forma emocionada, a cultura dos terreiros de candomblé, trazida pelos negros africanos e mantida aqui pelos mestiços brasileiros. Resolvi registrar o que ouvi, cumprindo tanto quanto possível o papel de repórter, interferindo minimamente e apenas quando necessário.

Começamos bem. Canto “primitivo, forte, verdadeiro, despretensioso e absolutamente intuitivo“, eu gostaria de crer que fosse uma piada de mau gosto. Mas não: essa senhora realmente coloca todo lindo trabalho de Glória na conta de uma coisa mística e dentro de uma mentalidade pré-lógica, que não pensa, só sente, como é comum entre os negros. O seu “papel de repórter” só me faz lembrar um antropólogo inglês, pena à mão, anotando cada movimento de selvagens africanos em seu habitat – e, para não haver distorções, “interferindo minimamente e apenas quando necessário“.

Luciana então fala do processo de gravação do disco, em que fez questão de chamar profissionais que conheciam e respeitavam a linguagem do candomblé, querendo enfatizar todo o seu respeito por essa manifestação folclórica de que Glória é guardiã, já que esta “tinha cultura, ancestralidade”. (Não se engane: essa “cultura”, definitivamente, não é “conhecimento”, mas sim aquela ideia de “ser da raiz”.) Diz também que os tais músicos “já admiravam a Glória das rodas na minha casa”. Aqui entra algo bastante sutil, mas não menos cruel. Não sei como era a relação das duas em casa, mas consigo visualizar, claramente, a cena dos músicos populares da alta classe média carioca sendo servidos por Glória Bomfim (que também terá preparado os quitutes oferecidos por Luciana Rabello) e, a cada meia hora, chamando-a da cozinha para cantar junto.

Sabe qual é a questão? Vai saber se a Glória Bomfim estava mesmo a fim e à vontade de cantar com aquelas pessoas. Pode ser que estivesse? Sim. Mas pode ser também que, por várias vezes, ficasse cansada de ser o mico de circo que anima a plateia, como qualquer artista. E com uma diferença: qual a margem que ela teria de dizer “Dona Luciana, hoje não quero, não estou a fim. Vou ficar no meu quartinho de dois metros quadrados, assistindo à minha televisão de cinco polegadas. Quando a senhora precisar de alguma coisa, grita”? Quase nenhuma, evidentemente. Até porque Luciana não entenderia como Glória não iria querer estar com ela, sendo uma patroa tão boa.

E já que Luciana fala da ancestralidade de Glória nesse texto, deixa eu falar um pouco da ancestralidade da própria Luciana. Talvez ela não saiba, mas está repetindo o velho hábito que seus antepassados senhores de terra tinham de ir à senzala com seus convidados e mandar os negros cantarem os folguedos, jongos, sambas para diverti-los. Isso era comuníssimo, e ai do escravo que não quisesse participar do pocket show. Wilson Moreira e Nei Lopes já cantaram em “Candongueiro”, mas Luciana, mesmo atenta e sensível ao mundo do samba, não percebeu: “Meu candongueiro / bate jongo dia e noite / só não bate quando o açoite / quer mandar ele bater / também não bate / quando o seu dinheiro manda / isso aqui não é quitanda / pra pagar e receber”.

(Quando falo dos antepassados de Luciana Rabello, não afirmo que estes tenham sido senhores de escravos, mas remeto a um espaço simbólico do qual ela é herdeira socialmente falando, já que desfruta dos privilégios de ser branca por conta do passado da escravidão e do racismo que é presente – além de repetir os costumes que são tradicionalmente passados adiante nesse contexto.)

Mas isso ainda não é nada. A autora da pérola do colar de pérolas passa então à história de Glória desde seus tempos de menina em Areal, interior da Bahia, quando já cantava nas festas de sua cidade, acompanhada de violeiros e sempre em cima de um caixote, já que tinha apenas 8 anos e era pequenina. A música principal de seu repertório, curiosamente, já era uma valsa de Paulo César Pinheiro. Mas aí – prestem atenção -, assim Luciana arremata esta passagem da vida de Glória Bomfim:

A partir daqueles dias, a menininha começa a sonhar em ser cantora de verdade. Mas a valsa e tudo aquilo ficaria pra trás quando, acreditando em falsas promessas de estudo e de um futuro melhor, Domingas entrega a filha aos cuidados de uma senhora. No lugar de cartilha, a menina recebeu uma colher-de-pau e o trabalho doméstico não remunerado. Voltou a subir em tamboretes, agora não mais pra cantar, mas pra alcançar o fogão e a pia. Acabou se tornando uma cozinheira de mão cheia!

Que coisa maravilhosa, gente! Quem diria que, apesar de tanto sacrifício e injustiças que sofreu, Glória teria a dádiva de se tornar uma cozinheira de mão cheia e poder cozinhar para a dona Luciana Rabello? Você pode imaginar alegria maior na vida de uma mulher?

Glória trabalhava sempre cantando. Desde a primeira vez que a ouvi, já senti o que estava ali. Voz rascante e afinada, com volume impressionante, precisão rítmica admirável. […] O repertório era irretocável. Comecei a reparar também que Paulo César Pinheiro, o dono da casa, era o compositor mais constante […] Um dia daqueles, ainda sem conhecer sua história, passei pela cozinha enquanto ela cantava Viagem, e brincando, insinuei que ela estaria puxando o saco do patrão. Ela se assustou, me pegou pelo braço e me fez sentar pra explicar. Eu falei que aquela música era do Paulinho, ora! Com os olhos cheios dágua, ela me disse não acreditar que alguém inventasse música e, menos ainda, que estivesse trabalhando na casa do criador daquela, que a acompanhava desde criança. Eram dois fenômenos: Glória achava que músicas não eram feitas, mas que apenas existiam como as cantigas de santo do candomblé. E não imaginava, absolutamente, que estava há quatro anos convivendo com o autor da sua maior lembrança! Claro que esse trabalho que apresento era inevitável. E vocês vão concordar!

Pois é, senhoras e senhores. A Glória Bomfim, como uma boa negra selvagem que não entende como o mundo moderno ocidental funciona, porque está presa à sua ancestralidade tradicional africana e sem qualquer capacidade de diálogo e observação do mundo à sua volta, simplesmente não sabia que pessoas compunham músicas!! Que coisa incrível, não é mesmo?

Agora, falando sério: mesmo que esse absurdo fosse verdade, tem necessidade de expor a Glória Bomfim como se fosse um índio numa jaula na Paris do século 19 16, falando de seus costumes bárbaros e capacidade intelectual inferior (restando-lhe a pujança emocional, e grande vigor físico e dotes culinários)?

E veja que é Luciana Rabello quem “apresenta” o trabalho de Glória Bomfim, sem dar qualquer crédito à cantora, estrela maior disso tudo. Mas justifica-se: Luciana, percebendo o “diamante bruto” que tinha em mãos, como citado no primeiro trecho, com toda a sua intelectualidade soube guiar aquele potencial desprovido de razão para o caminho das luzes, de modo a transformá-lo em algo factível e de verdadeiro valor artístico. É uma ourives de mão cheia esta senhora chamada Luciana Rabello! Ainda bem que Glória Bomfim teve a felicidade de encontrar uma patroa tão compreensiva, paciente e, sobretudo, com o mesmo bom coração dos senhores que decidiram, da noite para o dia, libertar os seus escravos num arroubo do mais puro sentimento cristão de misericórdia.

Não sei se hoje eu acordei de mau humor, mas isso pra mim é caso de polícia.

glória e luciana

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43 Responses to “Glória Bomfim tem seus santos e orixás e não precisa da ex-patroa”


  1. 1 tina 08/10/2009 às 23:55

    Cesar,

    vai ser uma honra estrear os comentários. Maravilhoso! Já é meu favorito na categoria post do mês. Fiquei feliz por você ter levado adiante a idéia de fazer um post sobre essa aberração que a Luciana Rabello escreveu. Lembro que queria comparar como o tratamento dado ao Garrincha pela imprensa da época.
    Excelente a forma como você aborda esse racismo que cresce pelas frestas da intimidade permitida.

    beijo

  2. 2 Rafael Cesar 09/10/2009 às 02:13

    “frestas da intimidade permitida”, hum… gostei disso. Mas e a ideia do Garrincha? Mesmo se não for com a Glória, dá pra ser com mil outros(as). Quando vai pro papel? É muito boa, já te disse. Pode vir a ser um parâmetro para comparações, hein?

    Beijo!

  3. 3 Pedro BOMFIM 10/10/2009 às 11:08

    excelente! meu post preferido até o momento. Pela perspicácia do escritor e pela qualidade musical da cantora. É isso mesmo. Glória, Garrinhcha, o Pelé (a pantera do futebol), os bluesman dos anos 20, 30, etc, hendrix! Desenvolvimento de téncnica, expressão artística, extrapolação dos parâmetros até então imaginados pelos consumidores de arte (!), reduzidos à dádiva divina ou a atributos transcendentes, simplificados ao extremo por um visão imperativa (imperialista) e excludente.
    Para ser “Cantora de verdade” só se a patroa deixar.
    Para ser guitarrista de verdade só se o Eric Clapton gostar.

  4. 4 antimemorias 11/10/2009 às 23:21

    Como sempre arrasando no blog, estou gostando de ver como a coisa está fluindo. Momento comentário malvado: Espero que a sua dissertação também esteja indo no mesmo pique! hohohoho
    Beijocas!

  5. 5 Rafael Cesar 12/10/2009 às 03:00

    porra, cortou meu barato… é, ainda não é tempo de a dissertação estar tudo isso, mas foi bom você ter me lembrado desse detalhe eheheheh… beijo!

  6. 6 simone 12/10/2009 às 14:23

    Ao apontar os anjos da guarda dos talentos brutos surgidos nas senzalas contemporâneas sua escrita desmascara as atitudes que comprovam que o racismo é coisa da nossa cabeça (de brasileiros) e está refletido até mesmo nas práticas sociais mais “bem” intencionadas.
    Viva essa voz que é a a Glória para a platéia! E diante da tarefa inglória de ouvir as vozes menos agraciadas, vamos agir e reagir, negando-nos a ser platéia para o show de quem não merece aplauso.

    Palmas para seu texto!!!

  7. 7 Rafael Cesar 13/10/2009 às 09:45

    Uau! Tem um comentário melhor que o outro por aqui!! É isso mesmo: vaia pra quem está tentando parasitar o talento alheio! Valeu, Simone!

  8. 8 Daniele Crato 17/11/2009 às 23:29

    Rafael César, você infelizmente não entendeu nada, discordo de tudo que você escreveu! Mesmo não conhecendo estes músicos pessoalmente, eu não enxergo este sentimento racista nos depoimentos da Luciana, para mim esse sentimento está em você. Luciana Rabello é uma artista consagrada da música brasileira, de uma família comprometida com a música do Brasil – o gênio Raphael Rabello, Amelia Rabello – e ela mesma, grande cavaquinista que, entre outras façanhas, criou a Escola Portátil de Música, instituição que já existe há 10 anos formando jovens músicos. Penso que o senhor deveria rever suas opiniões e aplaudir lançamentos como este de Glória Bonfim, que partiu do interesse da própria Luciana de dar oportunidade a uma cantora.

  9. 9 Nikolas Cardoso 17/11/2009 às 23:33

    po mlk q comentario + escroto… ñ vi nada disso ai ñ, acho que voce ta inventando coisa onde ñ tem! por acaso vc conhece algum deles? em que vc se baseou pra escrever essa merda????? na sua kbça? deve ser um maconhero, maluco! arrrgh! fiko puto com esse tipo de merda!

  10. 10 Rafael Cesar 18/11/2009 às 08:06

    DANIELE CRATO:

    Eu fiz uma leitura do texto, do que a Luciana escreveu. Você só me deu a biografia dela, que eu já conhecia. Me encheu de argumentos de autoridade e não me disse nada. E ainda fica me dizendo que o sentimento racista está em mim? Por quê? Por que você decidiu que ele está em mim? É claro que é muito legal o lançamento de uma cantora como Glória. É maravilhoso! Mas, se vemos essa relação servil mantida em prática, não tenho porque não falar. Devemos louvar o fato de Cartola ter conseguido gravar seus discos? Devemos, claro! Mas devemos esquecer que ele só conseguiu o primeiro depois dos 60 anos, vivendo como lavador de carros até então? NÃO!

    NIKOLAS CARDOSO:

    Eu não sou moleque, não me chame assim (https://meujazz.wordpress.com/2009/10/02/palavras-de-origem-banta-2/).

    E também não tenho que conhecer pessoalmente ninguém para fazer julgamento de algo que essa pessoa escreveu. Isso é uma colocação muito rasa. A sua irritação, me chamando de maconheiro, de maluco (eu não fumo maconha nem sou maluco, mas não sei por que alguém ainda acha que isso é ofensivo), é típica da consciência racista que ficava silenciosa, velada, confortável, sem ter de se expressar, e que agora está tendo que colocar as manguinhas de fora, está se mostrando, porque não suporta a denúncia, o desmascaramento.

    PARA OS DOIS:

    De pessoas bem intencionadas o inferno está cheio. A Luciana Rabello é só mais uma.

  11. 11 Alessandro Xouts 07/12/2009 às 08:35

    Amigo,

    Acabei de comprar o CD e acompanho o trabalho do Paulo Cesar Pinheiro, li no encarte a apresentação feira pela Lucinha, e não achei ofensiva, até porque ja conhecia a historia da Gloria através da biografia do Paulo Cesar Pinheiro. Acredito que foi escrito por alguem que tem muita intimidade com a cantora….. é uma exaltação ao talento da cantora….
    Apenas opiniões divergentes…. Preconceito? Talvez…. Intencional. Tenho certeza que não; ou quem sabe um pouco seu que deu uma entonação rancorosa a um texto onde é uma amiga falando de outra.

    Dê uma olhada no livro “A letra brasileira de Paulo César Pinheiro – uma jornada musical” quem sabe vc não muda de opinião sobre o que escreveu.

    Um grande abraço.

  12. 12 Rafael Cesar 08/12/2009 às 01:23

    Alessandro,

    Não sei se vou poder ler o livro em questão porque ando bem ocupado com outros leituras (o próprio blog está meio abandonado, como você pode ver). Mas me dê aí uma dica do que você leu no livro indicado que poderia mudar minha impressão. Fiquei curioso. De repente dá pra gente discutir algumas coisas. Obrigado e um abraço,
    R.

  13. 13 Spirito Santo 11/12/2009 às 11:37

    …Sem comentários um primor de agudeza crítica. Uma série destes posts, com esta verve, daria um livro bem bacana.Sério.

  14. 14 Rafael Cesar 15/12/2009 às 17:37

    Spirito, porra, você não imagina a alegria que me dá ter um comentário seu no meu blog! Eu sou seu fã, e isso não é rasgação de seda, eu já tinha falado isso pra você muito antes. Obrigado mesmo pela sua presença aqui!

    Quanto ao livro… Quem sabe, se esse blog for pra frente, tenho material no futuro? Mas é pensar grande demais, pra mim. Pelo menos por ora.

    Aliás, e o teu livro? Você fica botando água na nossa boca com aqueles trechinhos, sinopse, introdução do Nei, e nada de vir a público!

    Um abração e obrigado novamente,
    R.

  15. 15 Rafael Cesar 15/12/2009 às 18:10

    Rapaz, te conhecendo, sei que tu tomaria as dores mesmo que seu sobrenome fosse Rauschenberger. Mas sendo BOMFIM, seu comentário, que já é foda, ficou ainda mais interessante!

    abraço!

  16. 16 simara 24/03/2010 às 00:04

    Vou te contar que quando li o texto dela em qualquer lugar aí na net achei tão inocente quanto esse otro pessoal que comentou aqui.. O fato é que o sentimento racista está tão entranhado na nossa cultura, nas nossas mentes, no dia-dia, que se às vezes não nos dão um “ACORDA” não percebemos ele ali! Sinceramente eu não tenho idéia se a Luciana expressou essas idéias (sem dúvida carregadas de racismo, é só analisadas mais calma e profundamente) ciente desse conteúdo “subliminar” delas. Creio que não. Esse é o caminho! Admitir que essas coisas estão aí, veladas, mas presentes TODO o tempo e que incomodam quando remexidas. Admito também, como fez o Rafael, que faço váárias piadas homofóbicas brincando.. E olha, sendo bem sincera, quando era criança fazia xingamentos racistas sem nem saber por quê (simplesmente aprendemos desde cedo). E só prestei mais atenção nessa questão depois que me aproximei do samba brasileiro, da salsa cubana, fui ler, estudar, procurar.. essas coisas não estão de mão beijada na TV! O fato é que, os preconceitos são tão velados que falar deles parace piada, parece que é óbvio que ninguém tem preconceito nenhum! que absurdo! racismo, no Brasil?! Desculpa aí o desabafo (: Bom, gostei muito do blog, como já disse, e indico um texto (metida) sobre racismo na história dos transportes, de um militante do movimento negro do distrito federal que também milita comigo no movimento passe livre. Indico pela satisfação que tive de alguém ter inserido essa discussão na nossa militância branca, universitária de classe média. É… essas coisas não se aprende na escola. http://tarifazero.org/category/blogs/paique/

  17. 17 Monica Ramalho 10/05/2010 às 11:50

    Rafael Cesar, se você conhecesse os meus amigos Glória Bomfim, Luciana Rabello e Paulo César Pinheiro, ficaria envergonhado por ter escrito este lamentável texto. Antes de escrever, apure, se você pretende ser jornalista um dia.

  18. 18 Monica Ramalho 10/05/2010 às 12:03

    Aliás, se conhecesse um deles você JAMAIS escreveria qualquer dessas acusações. Esse link chegou a mim através de uma amiga também indignada com tantas agressões gratuitas e mentirosas, destinadas a pessoas que, definitivamente, não merecem, Rafael.

  19. 19 Rafael Cesar 12/05/2010 às 00:30

    Monica Ramalho, não me interessa se os seus amigos Glória Bomfim, Paulo César Pinheiro e Luciana Rabello são pessoas lindas, maravilhosas e que se amam. O meu problema é com o DISCURSO da Luciana Rabello, cujo impacto, cujo subtexto, para mim, é profundamente racista e típico da Casa Grande & Senzala, que carnavaliza relações de poder fortemente ligadas a uma memória de escravidão. Não estou falando da pessoa da Luciana Rabello, não me importo com ela, não conheço ela, nem quero conhecer, e NÃO PRECISO conhecer a Luciana Rabello para poder criticar algo que ela escreveu. Não sei se a pessoa Luciana Rabelo merece a crítica, mas o que ela escreveu merece.

    Argumentos ligados ao caráter dela não me interessam em NADA, e não contribuem, novamente, em NADA para a discussão. Eu não duvido que a Luciana Rabello goste da Glória Bonfim, que a tenha como uma amiga, que tenha consideração por ela etc e tal. Acontece que esse tipo de relação, da forma como a Luciana estabeleceu NO TEXTO DELA (não sei como funciona na realidade concreta delas duas), está colocada da mesma forma como um angolano uma vez, num documentário, descreveu a relação do povo de seu país com os portugueses, que eram tidos como “pessoas amigas”, “abertas”, “companheiras”, “que gostavam de conversar” etc. Disse o angolano: “Sim, eles são muito legais, gostam da gente, nos tratam bem. Mas é a relação do cavaleiro com o seu cavalo. O cavaleiro ama o cavalo, dá banho nele, faz carinho, cuida, limpa, alimenta. Mas é o cavaleiro em cima, e o cavalo embaixo.”

    Eu não sei quem você é, mas imagino que, pela sua indignação, tenha um perfil socioeconômico e racial igual ao da Luciana Rabello, e que a memória da Casa Grande esteja no teu dia-a-dia, na tua concepção de mundo. Assim sendo, é mais difícil sensibilizar você para a questão, porque ela não te atinge mas, ao contrário, você se beneficia dela. (Isto, caso eu esteja correto na minha suposição, é claro, e lembrando também que não é preciso ser branco e abastado para ter essa memória, mas é preciso ser branco e abastado para tirar todos os benefícios desta situação, mesmo que não seja intencionalmente.) Então, vou inverter para outra coisa, que talvez você consiga enxergar. Há alguns meses atrás fui assistir à entrega de um prêmio, e o ganhador disse a seguinte frase: “Agradeço, mais que tudo, à minha mulher, que cria todas as condições familiares possíveis para que eu possa me dedicar ao meu trabalho. Fulana, eu te amo!”. Esse indivíduo ama a mulher dele? Com certeza! Mas você deve ter percebido que nessa frasezinha infeliz que ele falou está dizendo o seguinte: “Agradeço à minha mulher que cumpre devidamente o papel dela de esposa cuidando dos filhos, da casa, da empregada, da louça, das compras, para que eu possa trabalhar tranquilamente”. Ou seja, ele ama a mulher, mas há aí evidentemente uma relação de poder estabelecida, calcada em uma tradição patriarcal que impede que a mulher dele tenha o mesmo desenvolvimento profissional (porque tem que cuidar da casa e criar as condições familiares para o infeliz que falou aqui). Ele pode amar a mulher dele e vice-versa, mas isso não faz a relação deixar de ser machista, MUITO machista.

    Não estou dizendo que você seja uma escravocrata por estar indignada com essa história toda, ou por ser branca e abastada (se é que é mesmo). Eu não sou branco, mas sou abastado, e sem dúvida também tenho alguns bônus dessa nossa manutenção de algumas relações ligadas à escravidão. Mas eu também levo o ônus, porque sou um afrodescendente, e eles são muitos, pode ter certeza.

    Só que a sua indignação é típica das “saudades da escravidão” que o Brasil sente, e especialmente a elite (sim, branca, não tenhamos medo de dizer isso, porque é a regra, é a construção histórica sobre a questão), que pôde desfrutar dela em sua plenitude, e ainda desfruta de outras formas. Sua indignação, sua boa intenção, tem a ver com o que falei em relação à Luciana Rabello no post:

    (Quando falo dos antepassados de Luciana Rabello, não afirmo que estes tenham sido senhores de escravos, mas remeto a um espaço simbólico do qual ela é herdeira socialmente falando, já que desfruta dos privilégios de ser branca por conta do passado da escravidão e do racismo que é presente – além de repetir os costumes que são tradicionalmente passados adiante nesse contexto.)

    Sim, eu estou dizendo que você sente saudades da escravidão, é isso mesmo, você não leu errado. Mas não estou dizendo que você seja um monstro, que queira chicotear sua empregada ou a empregada da Luciana Rabello. É uma questão de dinâmicas sociais, entendeu? Mesmo que você não esteja sendo mal intencionada, tem gente se fodendo feio por conta dessa sua postura, da postura da Luciana Rabello e de tanta gente mais. Leia o artigo no link que você vai entender o que digo. Não é uma acusação a você, ok? É uma acusação de um sentimento ligado a uma memória social, e da qual textos como o da Luciana Rabello e a indignação que você sentiu fazem parte. E também há negros que sentem essa saudade do ponto de vista do patrão (porque do ponto de vista do escravo não tem muito como), não tenha dúvida disso.

    Não nos esqueçamos que de bons corações e boas intenções o inferno está cheio (já falei isso para outros dois que comentaram por aqui). E isso não é ironia, é a mais pura verdade. Vide evangélicos nos países africanos ou no Haiti; dentre também patroas que amam suas empregadas.

    Por último, eu não preciso “apurar”, pelo menos não da forma como você falou. Eu peguei um fato: aquele texto está na página de apresentação do MySpace da Glória Bonfim, e do CD dela, se não me engano. Eu posso criticar isso sem conhecer a nenhuma das duas, claro que posso. E eu não quero ser jornalista, nunca estudei jornalismo. Não sei de onde você tirou isso. Sou formado em Letras. Eu entendo o que você diz, e acho justa a sua preocupação ética (que deve ser levada em conta mesmo para os não jornalistas), mas não acho que se aplique ao caso.

  20. 20 Samir Benjamim 26/06/2010 às 03:53

    http://www.overmundo.com.br/overblog/a-viagem-e-as-viagens-de-gloria

    neste link o texto apresenta uma relação mais leve do que a que você infere…

    mas quero dizer que concordo contigo. o texto de luciana rabello é sim, em muitos momentos, herdeiro de uma tradição racista e você percebe isto e demonstra pra gente de forma muito sagaz. mas, ao contrário do que você diz na defesa acima, várias de suas afirmações estrapolam o texto e voam nas asas de sua imaginação de forma ferina e irônica; o que é também interessante, pois provoca, mostra a cara e chama a gente pro confronto (aliás, pra dois confrontos: um com o seu texto e o incomodo que ele causa, e dois – até pelo incomodo causado – conosco mesmos e nossa apatia diante dos monstros da história adormecidos em nossas almas).

    creio, como disse acima, que a estratégia do confronto é interessante e em determinados casos necessária e creio também que o combate ao racismo é um desses casos. mas, muitas das inferencias que você faz, não sobrevivem a uma pesquisa mais aprofundada. e, se o grosso do texto impressiona e chama pra luta, as inferencias a relações íntimas a que você não teve acesso (nem pelo texto citado) quando são refutadas com competencia, reforçam as defesas e preconceitos de seus adversários, que não são de modo algum, creio eu, luciana rabello e seus amigos, mas sim um discurso fetichista que transparece no texto de luciana e é responsável, juntamente com outras dinâmicas sociais, pela manutenção de instituições tremendamente injustas em nossas relações. parece que em alguns momentos do seu texto luciana assume o papel de “inimigo” e, embora ela mesma (provavelmente inconscientemente) tenha dado margem para tal posicionamento, não me parece uma boa estratégia reforçar essa posição…

    bem… talvez eu esteja protegendo um pouco luciana por “saudades da escravidão” (afinal, mesmo que não abastado, eu sou branco e realmente me beneficio desta relação injusta entre negros e brancos que vem sendo sempre reelaborada), mas talvez, também, a realidade seja ainda mais complexa do que apenas “casa grande & senzala” e dentro destas relações desiguais também podem irromper igualdades e inversões nas relações afetivas e de poder.

    parabens pelo texto e sinceramente obrigado por me por de frente com meus preconceitos…

  21. 21 jonas delecave 30/09/2010 às 00:51

    pô césar, não gostei muito desse teu texto.

    você pode dizer que é porque eu sou um branco abastado que quer a volta da escravidão, mesmo que inconscientemente. mas o que um branco abastado pode responder a isso? e, em algum lugar do inconsciente, é provável que eu queira mesmo a volta da escravidão. ê lugar de contradições e repressões, esse inconsciente. mas, mesmo assim, a gente é responsável por ele e, se a gente escreve um texto racista como o da luciana, a gente tem mesmo é que se responsabilizar. apesar das aporias da autonomia, não dá pra viver no blame it on the society, ou nas ditaduras do desejo. pois bem, é bom que você desvele os discursos racistas em nossos discursos -por vezes- ingênuos, por que o que importa não é se a luciana é ou não gente fina. o que importa é o discurso, como você colocou. e aí é que pega. porque me parece que você, (que realmente não tem nenhum compromisso jornalístico, mas tem um compromisso ético com a questão racial -posso chamar assim?) sai do discurso da luciana pra entrar em possíveis cenas do cotidiano ou em suposições de sua personalidade, que não estão em pauta aqui. tudo bem, dá um ótimo ar tragicômico pro texto, mas perde o rigor do discurso, que poderia ser muito mais sólido e consistente. e, mesmo que eu esteja exagerando (afinal isso não é um artigo acadêmico), me parece que a nebulosidade entre a crítica do discurso e da personalidade cria um ambiente ruim pra diálogos. como, aliás, deu pra perceber em alguns comentários. Bom, é isso que eu senti do teu discurso.

    aquele abraço e viva glória bonfim!

  22. 22 Gelson Costa Lima 19/11/2010 às 17:04

    Rafael, sua resposta à Mônica Ramalho, foi irretocável. As pessoas,por vezes, “não percebem” a dimensão do discurso.E vc, enquanto escritor e leitor, deve evidentemente, prender-se ao discurso.As relações cotidianas, de amor, consideração, afagos e carinhos, pertencem a outro universo,que o leitor crítico e escritor não tem acesso e nem tem obrigação de conhecer e analisar.Ao contrário da indignação de alguns(tb pertinente e válida), penso que o texto deveria servir para uma profunda reflexão, principalmente daqueles envolvidos diretamente no fato,a própria cantora (maravilhosa) e seus ex-patrões.

  23. 23 Rafael Cesar 23/11/2010 às 12:15

    Obrigado, Gelson! Acho que é por aí mesmo. Até porque, senão, tudo fica justifcável por trás de “reais intenções” e etecéteras, né? Um abraço!

  24. 24 Camilo Jara 30/06/2011 às 03:00

    Meu filho, você está querendo fazer um texto informativo, ou é só para mostrar aos seus coleguinhas o que consegue escrever no tempo livre? Do que você escreveu, só os primeiros três parágrafos servem, até que você começa a achar que a sua “leitura” da carta, merece ser lida. O que é fato, no fato fica. O que você ache, bata um papo com seu ser querido, mas se você quer dar uma de informador estrela, acha que a merda toda de racismo se reduz a isso, e o tapete vermelho lhe come o sesso, desligue o computador, vai estudar elaboração de textos não literários, e deixe de fazer circular mais lixo na internet, que, sendo um mundo como é, também se contamina com ignorâncias e folhas mal usadas.

  25. 25 André 19/07/2011 às 20:17

    Olha, Rafael, caso de polícia é vc postar uma foto com a legenda que vc postou : ” Já roubou a cena, pode começar a roubar outras coisas” afirmando isso como frase proferida por Luciana Rabello. Extremamente irresponsável, pra dizer o mínimo. Depois de ler o seu texto fiquei com uma enorme sensação de ter perdido meu tempo.

  26. 26 ofuturodoledgo 31/08/2011 às 11:35

    Fala sério… tudo que vc faz é falar de situações que vc imagina. (“mas consigo visualizar, claramente, a cena dos músicos populares da alta classe média carioca sendo servidos por Glória Bomfim (que também terá preparado os quitutes oferecidos por Luciana Rabello) e, a cada meia hora, chamando-a da cozinha para cantar junto.”/ entre outas besteiras). sinceramente, tá falando merda. a luciana sempre tem essa cara. e olha assim pra tudo mundo q toca com ela.

    Larga de ser besta e vai escrever coisas sérias.

  27. 27 ana 22/03/2012 às 15:24

    Fiquei atento à isto que você escreveu: “tem necessidade de expor a Glória Bomfim como se fosse um índio numa jaula na Paris do século 19 16, falando de seus costumes bárbaros e capacidade intelectual inferior”

    Então quer dizer que ser racista contra os negros não pode, mas contra os índios pode? Pois foi exatamente isso que você fez nesse comentário.

  28. 28 Rafael Cesar 28/04/2012 às 02:03

    ana, perdoe, mas acho que você leu mal o que escrevi. não me refiro a “expor como um índio”, somente. há um determinante para isso: “como um índio NUMA JAULA NA PARIS DO SÉCULO 19”.

    não sei se você sabe, mas era comum a exibição de humanos considerados “selvagens” em paris até o início do século 20. eu sabia que isso era comum com índios na época que escrevi esse texto. recentemente, soube que isso era feito com africanos e asiáticos, também.

    enfim, o que quis dizer não é, de jeito nenhum, que isso pode ser feito com índios. mas comparei o absurdo da exposição da glória bomfim com a maneira como índios eram expostos no século 19 em paris.

    espero que eu tenha esclarecido.

  29. 29 Nereu Tomazinho 11/05/2012 às 08:59

    Nunca tinha ouvido falar de Glória Bomfim, infelizmente para mim!
    No dia que saiu o novo disco de Bethânia, Oasis de Bethânia, comprei dois e fui dar um de presenete a um amigo, ele falou…
    -Volta na loja e vê se tem um cd de uma tal não sei o que Bomfim, não lembro agora, só sei que todas as músicas são do Paulo Cesar Pinheiro, vc vaio adorar….
    Voltei prá loja, tinha um só, na vitrine, comprei….
    Adorei,,,, Amei…. que que é isso… Meu Deus…. até fiz uma cópia se não vai furar (rsrsrsr).
    Obrigado Paulo Cesar, obrigado Luciana…. e obrigado Bethânia por ter produzido o nosvo disco de Glória, Anel de Aço, agora preciso comprar o primeiro CD.
    Saravá para todos nós, que os orixás abençõem essa mulher, essa negra maravilhosa!!!!

  30. 30 johnatanwiliam 15/09/2012 às 22:03

    Pois é rafael, eu concordo com o camarada acima sobre a estratégia errada. aliás acho que o campo do discurso verbal é absolutamente um campo dominado por aqueles que historicamente detém a hegemonia (e queira ou não queira, provavelmente continuarão a ter) sobre ele, e não adianta tentar se debater para dobrar qualquer episteme que as formas de apropriação e anulação estarão sempre a postos para a desarticulação de forças que aspirem à autonomia. já o discurso estético, que é o campo de ação por excelência de artistas da mais alta competência e força criativa como os citados acima, este sim é um campo de forças simbólicas onde as realizações mais profundas de frações sociais historicamente periféricas (embora capitais para a manutenção da civilização ocidental) estabelecem uma resistência igualmente histórica à quaisquer condicionamentos que visem a manutenção da condição heteronômica.se em determinado momento frações burguesas acabaram por legitimar e reproduzir determinados discursos estéticos convenientes para a conservação de uma ordem dominante, foi justamente artistas como Paulo César Pinheiro e Luciana Rabello que, independente de qualquer determinação externa (direta ou indiretamente) que lançam mão de suas energias vitais mais caras para subverter essa mesma ordem, olhando de dentro para fora e não o contrário. se uma artista do mais alto escalão como Glória Bomfim teve que “ralar” a vida inteira por ser negra e pobre, eu tenho a certeza absoluta que a culpa não é de artistas como os citados acima nem da sua condição de branquidade ou negritude (aliás quem é negro ou branco? PCPinheiro pode ser considerado um mestiço. e a Luciana Rabello, é branca? como lidar com essas questões maniqueístas típicas dos povos anglo saxões que não suportam nem sequer a ideia de se misturar?). o buraco é mais embaixo e o problema muito mais complexos do que simplesmente detonar e desqualificar iniciativas como essa. não fosse por artistas como estes nem sequer estaríamos nesta discussão patética, a Glória talvez nem tivesse despertado para a música e muito menos tido a oportunidade de gravar um disco primoroso com as músicas de quem? do seu patrão? não sou branco e muito menos privilegiado, mas creio que é justamente a reprodução da hegemonia desse tipo de discurso que vem conservando a superstição de que o trabalhador não pode se unir, mas pelo contrário, como mostra toda esta discussão, deve continuar a gastar suas energias com infantilidades e conflitos que, para a desforra daqueles queefetivamente detém as rédeas, às gargalhadas.

  31. 31 Rafael Cesar 31/10/2012 às 01:25

    Isso não faz o menor sentido. Só porque eles detém as rédeas, é infantilidade eu criticá-los? Acho que você não teve notícia de um país chamado Brasil, que nos últimos anos deu prova justamente do contrário, deixando a velha elite bastante incomodada.

    Se você se contenta com as coisas pela metade, ok, mas eu tenho o mau hábito de querê-las por inteiro e reclamar por esse direito – especialmente quando se trata de liberdade e dignidade.

  32. 32 Crítica 13/11/2012 às 18:47

    Rafael, antes de querer escrever um blog você deveria aprender a ler.
    Ou você é um analfabeto funcional ou tem muita vontade de aparecer criando polêmicas estúpidas. Use o seu engajamento de forma mail inteligente, como o faz, por exemplo, o compositor que você tanto critica. Paulo César, com sua música poderosa, sempre denunciou “o açoite” e a “tirania, como diz a letra de “Minha missão’. Você deveria ouvir essa linda composição dele e de João Nogueira; se conhecesse minimamente suas músicas, não falaria tanta merda!

  33. 33 Dri 28/11/2012 às 13:47

    Escrever sobre um assunto como esse complicado, pois como eu ja pude perceber pelo seu post é fácil ser interpretada, mal ou bem. Mas vamos lá. O texto a Luciana não é um texto de interpretação textual, mas sim de compreensão. O que vc fez foi simplesmente interpreta absolutamente td de forma como se o racismo estivense mascarado em cada palavra. Eu me perguntei, qual o problema, de se falar que alguém se tornou uma grande cozinheira? Ou é um ótima domestica. Poque uma pessoa que ama cantar não ia gostar de participar de uma roda de samba? de onde vc tirou essa ideia de mico de circo? (quanta agressividade. Neste caso vc foi que a chamou de mico,com a suas suposições). E assim por diante…. Não consegui entender, achei gratuito. Pena eu não ter achado nenhuma entrevista da própria Glória Bomfim para vc perceber que as coisas não são tão feias como vocês moldou.

  34. 34 Anderson 08/02/2013 às 15:25

    COMO FAÇO pra comprar um cd dela Gloria Bomfim

  35. 35 curumim 03/04/2013 às 20:47

    é rapaz, teus comentários são tão capciosos que certamente incomodam a quem os lê.. mas tua argumentação, quando não está infestada pela típica ferocidade daqueles diretamente atingidos pelo passado escravocrata e vergonhoso de nosso país, passa um cerol fino na mentalidade pequeno-burguesa de muitos… ser intelectual, culto, artista, gente fina e mão aberta, nada disso realmente impede de termos embutidos nos discursos as sublinhas travessas que Casa Grande e Senzala contém… isto tb não desqualifica este livro como uma “obra prima” assim como inúmeros antropólogos, sociólogos e suas obras-primas nao tiveram suas edições recolhidas das prateleiras por conterem comentários, que à epoca pareciam inocentes, mas que hoje, pros olhares mais atentos e ouvidos mais sutis, soam como as chibatadas que ecoavam nas senzalas… infelizmente, nosso país, e inúmeros outros, estão infestados por pensamentos ainda retrógrados (ou seja, que ecoam do passado, nada mais que isso…) minha mãe mesmo acha que muita empregada doméstica vai ficar desempregada com a nova lei trabalhista… bom, já eu, acharia ótimo que não tivéssemos mais empregadas domésticas, nem esta relação de boa serventia entre os dentes… se é pra ter emprego, que seja pleno…
    Teus comentários são válidos, mas concordo que seria mais feliz se não tivesse postado o “suposto” pensamento da Luciana em relaçao à sua ex-empregada, no final…. tudo terminaria mais leve, menos rancoroso…
    Pq, de fato, macular este rancor em nosso peito, não vai elucidar as cabecinhas duras sobre seus comportamentos dúbios e triviais… a batalha se trava no campo da ideologia, e tb no dia a dia de labuta, sorrisos e lágrimas…
    Teu comentário é válido, assim como toda voz levantada tem seu valor…
    que seja pra acordar os fracos de seus pensamentos leves, ou pra sacudir as estruturas fortes dos pensamentos duros que existem por aí…
    Abraços cordiais

    “Existem tantos caminhos, quantos corações…”

  36. 36 mauricio jose soares 29/06/2013 às 12:24

    Nao vale a pena perder tempo comentando um texto tao imbecil.Mas vale a pena dizer ao autor o tanto que ele e imbecil,pois acho que ele nao sabe disso.

  37. 37 Pedro 17/07/2013 às 13:45

    Que drogas usa esse infeliz que sofre de diarréia mental? Quer aparecer, deve ser, mss ainda aposto nas drogas pesaadas… Vai se tratar doente!!

  38. 38 alexander 30/07/2013 às 06:22

    Achei um exagero essa crítica a tal patroa. Só vi um grande gesto de amor do casal em lançar a cantora ao mundo, que sem a intervenção deles, certamente essa pérola estaria oculta pra nós. Esse amor cristão que falta em nossos corações, esse revolucionário sentimento pregado por Cristo. E só ele capaz de tirar a trave de nossos olhos, a mágoa e o rancor secular de nossa alma. Que os santos e orixás iluminem nossos caminhos e corações.

  39. 39 Andre 15/08/2013 às 18:39

    Que análise sem vergonha. Quem conhece a Luciana sabe que ela é uma pessoa elevada e que despreza essas opiniões pseudo-intelectuais. Já fui a alguns shows da Glória e não me parece que ela é uma pobre coitada explorada. A sua suposta opinião politicamente correta é carregada de preconceitos. Sugiro que faça coisas úteis ao invés de ficar julgando pessoas sem conhecimento de causa. Curta o seu jazz e deixe nosso samba em paz.

  40. 40 Tiana 06/09/2013 às 16:23

    Nossa! Que vergonha, que desesperança, que maniqueismo no seu comentário. Eu sou tão preta quanto à Glória e, talvez, tão preta quanto você e me estristece perceber que, pelas suas palavras, pretos como nós estão sempre à margem dos cenários pisados por nós mesmos. Assim, pra você pouco importa se ela se chama Glória Bonfim, se ela é cantora, se ela é Yalorixá, se ela é empregada doméstica, se ela é negra, se ela canta sabe deus porque e desde quando, se ela é linda, se ela é feia, se ela tem dentes, se ela tem luz. Importa pra você a relação dela com sua patroa, com a história da sua patroa, o marido de sua patroa…lamentável, amigo! Parabéns! Você caiu direitinho! É isso o que a massa densa do racismo que paira sobre esse país quer de você: fazer com que você esqueça de você mesmo, ainda que seja acreditando que está se lembrando de tudo! Lamentável, amigo!

    “Fugindo da dor provocamos mais dor. A começar pela do do outro”

  41. 41 Lalá 17/09/2013 às 11:48

    Creio que você passou mais tempo indignado com a ex-patroa do que argumentando sobre o talento da verdadeira cantora. Deveria pensar mais no que escreve, pois é um post sobre música e não de julgamento de caráter.

  42. 42 viniciusterrorVinicius Terror 08/10/2016 às 19:37

    O seu texto sim é uma verdadeira aberração. Nunca vi tanto preconceito “disfarçado”. Sempre tem um pra querer aparecer falando mal do que não conhece a fundo.


  1. 1 Geógrafo de quinta tenta argumentar contra intelectual completo de primeira e termina humilhado por jornalistas da pesada « Meu jazz Trackback em 21/12/2009 às 11:20

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