Ainda sobre Januário Santana, homem negro confundido com um ladrão e espancado por seguranças no estacionamento de um supermercado

Rapaziada, não sei se notaram, mas aquela matéria do Estadão que reproduzi aqui no blog estava uma verdadeira porcaria. Algumas coisas não ficaram claras no texto (especialmente a parte da briga antes de ele ser levado pra sala; ou mesmo quem dos caras, se policial ou seguranças, tinham dito que ele já era fichado na polícia); estava meio confusa como um todo. No dia, vi até um comentário lá no sítio do Estadão reclamando da péssima redação, e eu mesmo ia deixar um resmungo, mas deu aquela preguiça. E, como deu também raiva e vontade de jogar no blog na mesma hora, nem passou pela minha cabeça procurar em outras fontes pra entender melhor o que tinha acontecido.

Ontem, dia 20/08, saiu no Globo Online uma matéria bem melhor, escrita por um jornalista de verdade, narrando os fatos. Não vou reproduzir o texto, mas deixo o link. Essa nova matéria já fala da ação que o Seu Januário e o advogado vão mover contra o Carrefour e contra o Estado de São Paulo, já que a polícia esteve envolvida no caso (deveriam aproveitar o ensejo da homonímia e mover uma contra o Estadão, também). Sugiro a leitura da matéria porque além de falar da ação, retoma o caso desde o início, mostrando outros requintes do absurdo que foi – bagulho doido.

E se da primeira vez eu destaquei aquela frase terrível de Januário Santana, a vítima, que declarou que pensava em vender o EcoSport que está pagando em 72 prestações por causa dos inúmeros constrangimentos sofridos (Entendeu? Não é preciso proibir oficialmente o negro de ter ambições de ascensão, grana, estudos: ele internaliza, pelas relações simbólicas do seu dia-a-dia, que o espaço dele é sempre degraus abaixo), agora abro aspas para uma colocação de tom bem diferente, tirada de matéria do Diário de São Paulo, quando indagado sobre o medo de sofrer ameaças por querer levar seu caso à justiça:

Não tenho medo de represália e nem de ser morto. Morri naquele dia. Vou levar à frente porque se tiver que viver, quero viver com dignidade

Que coisa, seu Januário: o senhor acaba de mostrar que a sua dignidade ainda está contigo. Solta o verbo, malandro!

Sr. Santana

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1 Response to “Ainda sobre Januário Santana, homem negro confundido com um ladrão e espancado por seguranças no estacionamento de um supermercado”



  1. 1 Até onde vai a dignidade de quem sofre racismo? « Meu jazz Trackback em 21/08/2009 às 17:51

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