Por que a calvície avança

Acho que, exceto pelo meu namoro com ela, nunca investi um tempo grande, nunca produzi um longo prazo, por assim dizer, com nada. (É claro, tem aquelas coisas inevitáveis tipo uma graduação inteira, mas isso não conta, porque não é opção.)

(Isso aqui vai ficar meio clichê, mas, ó Pai, às vezes descobrimos umas coisas da gente, né?)

Estou pensando nisso por causa da minha mania de planejar tudo, colocar tudo em tabelas, fazendo projeções que vão medir cada passo da minha vida pelos próximos 20 ou 25 anos. Inevitavelmente, esse meu princípio de TOC (que também se manifesta de outras formas; na verdade, não sei se tem o obsessivo, na história, mas tem o compulsivo, com certeza, e foda-se, porque eu não sou psiquiatra) já atinge minhas idéias sobre o recém-nascido blog.

Após muitas tabelas e prijeções, jovem sofre de dificuldades de ereção

Eu não queria que o meu jazz se transformasse num blog que só falasse sobre temas relativos à África, às literaturas africanas, às relações raciais. Não é que isso não seja importante; pelo contrário, ocupa um pedaço enorme do meu pensamento e dos meus dias, e até faria sentido criar um blog só sobre isso. Mais pra frente, quem sabe.

Mas isso tudo porque me bateu uma angústia, de repente. Esse blog nem uma semana tem, mas a angústia já me faz companhia, pois é. E, veja, nem tenho assim uma preocupação em agradar leitores que não estejam interessados nesses temas, não mesmo. Interessam-me os interessados. Só que eu estava pensando em alguns posts, e me vieram 4 à cabeça que eu poderia escrever agora, e bem interessantes. Fora os outros 10 esboçados. Mas, todos, dentro desses temas. Pensei que talvez isso fosse meio cansativo.

Bom, talvez eu não devesse planejar tanto. Talvez eu devesse fazer acontecer. Fico curioso pra ver como isso aqui pode estar daqui a tempos, se ainda existir. Então, é isso (além do TOC, eu sou bipolar, esqueci de contar a vocês): aviso aos ouvintes deste nosso jazz que, pelo menos pelos próximos tempos, a diáspora africana vai estar em pauta, nas suas faces mais sisudas e nas suas faces mais descontraídas. (Eh!, ‘próximos tempos’, eu não poderia ter sido um pouco menos preciso?, você me pergunta levantando os olhinhos.)

Foi mais ou menos assim, acontecendo, que com ela passei os tempos mais interessantes, mais importantes e, sobretudo, de maior gostosuraprazeralegriacoisaboaestaraqui que tive nos meus breves, porém recheados, 23 aninhos. Vou tentar fazer isso com o blog.

Com os cuidados que ela me ensinou, mas que nem sempre consegui ter.

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